Esse é um dos muitos poemas existentes em "O Senhor dos Anéis" de J.R.R. Tolkien. Esse me saltou os olhos pela profundidade que tem e pelo momento em que é apresentado.
Sentado ao pé do fogo eu penso
em tudo o que já vi,
flores do prado e borboletas,
verões que já vivi.
As teias e as folhas amarelas
de outonos de outros dias,
com névoa e sol pela manhã,
no rosto as auras frias.
Sentado ao pé do fogo eu penso
no mundo que há de ser
com inverno sem primavera
que um dia hei de ver.
Porque há tanta coisa ainda
que nunca vi de frente:
em cada bosque, em cada fonte
há um verde diferente.
Sentado ao pé do fogo eu penso
em gente que se desfez,
e em gente que vai ver o mundo
que não verei de vez.
Mas enquanto sentado penso
em tanta coisa morta,
atento espero pés voltando
e vozes junto à porta.
Fonte: (J.R.R. Tolkien – Senhor dos Anéis – Volume Único – Editora Martins Fontes – Página 290)





